Sentimentos Cotidianos

Uma carta, mesmo que eletrônica

Depois do nosso último encontro, ficou em mim uma certa teimosia de não querer perceber. Nos primeiros dias tentei seguir na certeza de que nada mudou em meu íntimo. Passaram-se as horas, e continuei fazendo pouco caso do que sinto, como, aliás, todos fazem. Olho para o celular inúmeras vezes, não há nenhuma ligação não atendida. Verifico o e-mail, nenhuma nova mensagem na caixa de entrada. Tudo bem, você não prometeu me ligar e nem enviar uma carta, mesmo que eletrônica. Talvez não devesse, mas sinto um certo desconforto. Não me satisfaz esse mundo virtual, cheio de mensagens instantâneas, parece ter perdido o encanto e o romantismo das cartas. Só de imaginar que aquele papel tocou as suas mãos consigo sentir o seu perfume nas curvas de cada letra sua.

De pés no chão. Foto: Laila Guedes

Hoje, estranhamente me veio uma sensação de serenidade e segurança, começo a ceder. Acordo algumas horas antes do despertador tocar e ainda na cama, escrevo uma carta pra te contar segredos meus. Falar dos meus pensamentos. Recordações que ainda lembro do brilho no fundo dos seus olhos pretos, que sorri quando você me olha. Em silêncio dou risada também, sem perceber passo os dedos entre os fios dos meus cabelos, quero fazer charme. Por saber o quanto isso te seduz. Ainda deitada na cama, enrosco as pernas no travesseiro que tem o seu tamanho – me sinto em um daqueles momentos em que tudo faz sentido. Penso em te contar sobre os detalhes da paz que sinto, e do silêncio que fica melhor com a sua presença.

Quem sabe, talvez, você me mande uma carta, mesmo que eletrônica.

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “Concrete Jungle“.