Ecos do Amor

Um amor praiano

Tudo começou há dezenove anos atrás. Ela o viu a primeira vez na escola. O futuro se mostrou ali, sem perceber que era ele o seu futuro marido, o seu amor. Todos os dias eles se encontravam, estavam juntos no recreio, no final das aulas, na hora de ir pra casa. Estavam sempre juntos. Ele, surfista, era tão popular, e ao mesmo tempo tímido. Ela com sua liberdade rebelde e confusa, instável como o mar. Ora revolto, ora tranquilo.

Na praia, entre os coqueiros. Foto: Laila Guedes

A escola ficava em frente ao mar, no término das aulas, eles namoravam debruçados no canteiro que rodeava a praia. O mar sempre foi testemunha deste amor. Mesmo em tempos difíceis, quando o mar se ausentou deste cenário. Outros países, outro mundo, sempre juntos se aventurando em tantos outros lugares. Apesar de já morarem juntos há algum tempo, o casamento só foi oficializado depois. Eles não têm filhos, só uma cadela pra chamar de filha. Seguem o caminho somente ele e ela, compartilham da mesma luz interior, tem uma visão diferente, mas olham sempre pra mesma direção. Eles tem um ao outro o tempo todo. Trabalham e moram juntos, sempre foi assim que eles aprenderam com as diferenças a amar um ao outro. Aprenderam o que é o amor para viverem em paz juntos. Não há mais nem menos, se tratam de igual pra igual. Sem pedir muito um ao outro, eles apenas se doam por inteiro.

O cenário que um tempo atrás foi frio e gelado, agora é o sol, o mar e o ar, um amor praiano. Como sempre foi, o amor, tal como o mar, irradia brilho próprio combinando com as sombras desenhadas na areia da praia. Como um cochilar num fim de tarde. Como o amanhecer do sol, quando os raios queimam, iluminando a palha do coqueiro. É um amor sossegado, tranquilo. Às vezes quando a maré enche fica um pouco revolto, mas logo esvazia trazendo a calmaria. Como respirar o ar para dentro e para fora tão natural e livremente, quase como respirar juntos. Sem precisar exalar o quanto se consideram dignos deste amor. Consciente que tudo muda a cada ventania, a cada onda. As nuvens podem vir, as nuvens podem ir. Os tempos podem mudar. E ela ainda continua sendo a garota da escola. Não importa o lugar, as mudanças da vida, o verdadeiro amor continua bem ali, onde tudo começou. Os dois em frente ao mar.

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “Velha Infância”.

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