Sentimentos Cotidianos

Solstício

Todos os dias cheios de sol, só pra admirar. Não me sinto só, porque tenho esse calor me aquecendo. Guardo o último raio de luz, só pra iluminar. Não estou só, tudo me faz lembrar. Que hoje pode ser o único dia do solstício no escuro irracional. Dizem que a lua é cheia de buracos e o sol feito chamas. A noite fagulha o céu e o dia reflete ouro no mar. A grande virada, onde o mar vira céu e o céu vira mar.

O sol nasce outra vez. Foto: Laila Guedes

Vou nadando no céu de ondas e pisando em nuvens. Vou navegando em águas feita com sol, por sol. Arde e queima e reascende as lembranças de um lar além do tempo. Porque o amor precisa do mar e o mar precisa do ar, pra formar um lar além da noite e do dia. Alvo do próprio vento que levou o mar e o tempo. Meu ar de dores e alegrias, infinitas sensações que me conduzem a amar. O mar é meu lar, meu céu, meu sol e luar. No infinito estrelar, nos grãos de areia, quero uma pessoa só, um amor só, que eu possa chamar de vida.

Algo ressoa em minha mente paranoica essa paradoxal liberdade arbitrária e, ao mesmo tempo poética. Em mais um solilóquio, (re) penso, (re) crio, (re) vejo, tudo em mim parece (re) virar de algum jeito. Não é medo o que eu sinto. Eu quero mudar, amar, mar, apenas sinto que amo diferente do que vejo. Meu olhar arde feito sol em meu peito, de todas as formas, de todos os jeitos. Feito lua escondo na escuridão meus sentimentos enquanto misteriosamente anoitece.

Eu perco o ar. Respiro. Eu vejo um céu com ondas e um mar de nuvens e todas as cores da alma-íris. Eu posso sentir o balanço do mar me ensinando como voar. O ar me ensinando como, como amar. Eu posso sentir o oceano em mim naufragando as ruínas da solidão.

E não precisou muito, foi só mudar o ângulo, imagina se eu mudasse o mundo.

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “Losing My Religion