Ecos do Amor

Órfãos de Si

O tempo foi passando, e ele se perdeu. Não sabe pra onde vai, e nem de onde veio. De vez em quando solta faíscas luminosas do seu verdadeiro eu, como criança ao brincar livremente. Mas confusões perturbam a sua mente e coração – não sabe onde se perdeu, ou em qual momento se encontrou na busca incessante dele mesmo. Até que, numa fração de momento, ele olha para dentro de si. Tenta escutar a sua voz, silenciosamente murmurando em seus ouvidos, e nada. Procurou, gritou por si mesmo. Nada. Colocou a mão sobre a nuca fria, abaixou a cabeça e chorou. Fechou os olhos molhados de lágrimas e ouviu o barulho do seu silêncio soprando sob as cores cintilantes do seu pensamento. E desmaiou, exausto.

Quando despertou, já era dia. Tudo parecia meio diferente. As sensações ainda mais intensas sufocando o seu peito a se perguntar – ‘Quem sou eu, e pra onde devo ir?’ Ele ainda se questionava demais sobre si mesmo. Colocou a mão no peito e sentiu seu coração batendo descompassadamente. Seu eu mudo não tinha como responder. De certo que você não é você. É outro que criou pra se adaptar a nova realidade. E ele não sabe o que fazer perdido nas suas escolhas. Ele só quer se reencontrar. Mas precisa fazer parte de si mesmo. Mergulhar na sua grande imensidão. Sentir a força que vem de dentro do seu coração.

Percebo no cotidiano – e dentro dele – uma multidão repleta de órfãos de si. Sem necessidade de comprovação, eu aposto que a maioria das pessoas, em algum momento na vida já se questionaram o que fazer, pra onde ir e se tudo que vivem vale mesmo a pena. São os órfãos, carentes de si mesmo. Eles podem ser bem-sucedidos, ter distrações e hábitos tranquilos, família, amigos, mas a bússola de direção e propósito de vida não funcionam. Vivem em modo automático e às vezes parecem até decididos em alguma das suas escolhas, mas é melhor não dizer que o beco é sem saída. De repente, a pessoa pode desabar no abismo de si e perder o rumo. Quem é órfão – ou está confuso – vive dias penosos e sofridos. Mas, acredite somos parte de algo maior que reflete em nosso riso – a nossa alegria de viver sem a necessidade de que algo aconteça. E não há o que se preocupar, ele não morreu, hiberna apenas. Os dias não são pesados como se imagina e, as horas tão poucas no tempo da eternidade são boas.

A vida é surpreendente e sim, Você é Feliz, reconheça-se apenas. Esqueça tudo que te foi dito e viva a sua verdadeira história de amor. Respire e sinta, abra o seu coração e escute os sinais relampejando no céu. Caminhe sobre os seus próprios passos, seguindo a luz que vem de dentro. Preste um pouco de atenção. Você ainda está aí? Então, acorde!

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “Tears In Heaven”.

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Envie sua história de amor para contato@lailaguedes.com e participe!

Seus sentimentos íntimos poderão se eternizar num conto ou poesia, despertando os sons do seu coração, revelando a verdadeira essência da sua alma.