Sentimentos Cotidianos

Na sua Estrada

Me diz qual direção devo seguir. Me diz se vou de tênis ou descalça. Já entrei em vielas erradas a te procurar. Já corri sozinha e sentia frio, com meus passos mudando a cada fase da lua. Já tive pressa. Bem que eu estava quieta, estacionada no começo de um caminho sem fim. Agora tenho essa estrada acimentada nos meus pés movimentando as minhas vontades.

Na sua estrada.

Me diz que tudo que sinto ao meu redor é real. Me diz que não estou a escutar vozes no horizonte. Que tudo tem vida e conversa comigo e, é real. Eu sinto as variações do tempo, as oscilações do vento, a algidez noturna que estou. Meu olhar percorre cada instante, as rachaduras do asfalto, a tinta desgastada mal sinalizada, o cheiro da madeira das árvores secas, a falta das folhas. Eu sinto a rudeza das montanhas, a suavidade dos vales, a secura da boca, a frieza da água tocando os meus lábios.

Eu me demoro a minha volta, eu sinto a vida, eu escuto o meu silêncio. Eu me encanto com o percurso metafórico ruidoso e inquietante – o infinito à frente, o céu sem nuvens acima, o bosque ao lado, do outro o lago. O caminho. O caminhar até você. A estrada que é Você. Eu amo sentir tudo isso e não pretendo parar. Amo sentir o que há em nós, me perdendo e me encontrando na sua estrada, na sua essência. E, percorro sentindo tudo sem demora. Há momentos em que minha imaginação aflora em formas tão reais que a sua presença aparece, desaparece, reaparece no intervalo do piscar de olhos.

Agora que conheço essa estrada, basta seguir aproveitando, demorando, namorando. Não tenho pressa, primeiro as pernas e o coração acelerado. Deixa eu gastar toda minha solitude infindável, correndo nessa estrada. Seus trechos sinuosos me fizeram perceber que o amadurecimento vem nas dores das adversidades. Linhas retas, curvas tortas, dias de sol, dias de chuva, mesmo assim continuo. Pois eu sei, eu sinto que não irei desistir dessa estrada que conversa comigo interminavelmente.

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “It’s Time”.