Ecos do Amor

O medo de amar

Começo a escrever sobre o relacionamento entre uma mulher mais nova e um homem mais velho. Ele é sensível e amoroso, mas é diferente dos outros, tem algo frio, distante e inacessível. Um certo ar de mistério envolve os dois, são tantos segredos guardados. Desde o primeiro encontro, olhando no fundo dos olhos um do outro, começaram a sentir algo tão forte e inexplicável. Nunca alguém tinha alcançado o coração daquela mulher de uma forma tão intensa, tão profunda, que a confundiu. Ela não sabia o que estava sentindo. Não compreendia muito bem. Já não conseguia mais controlar suas emoções, seus impulsos, seus instintos mais primitivos. Ela se ver totalmente vulnerável, pouco a pouco, vai tendo pequenos vislumbres do risco de amar. Com isso, o medo vai surgindo, e talvez, por imaturidade, por incapacidade de entender os seus próprios sentimentos, ela foge. Um ato totalmente desesperador, por mais que tenha sido covarde e insegura, ela sofre a dor das suas escolhas. Falar sobre este caso de amor que foi interrompido por ser negado o direito de amar, por medo do desconhecido, me deixa triste, ao perceber que depois disso as outras inúmeras experiências que ela teve, não foi amor.

Distante de quem realmente ama, ela chora. Mesmo assim, ainda não admite os motivos de sua fuga. Às vezes, ela se arrepende por ter desistido deste amor, mas ela acredita não ser amada, simplesmente julga os sentimentos dele caindo na dor da sua própria condenação. Ela já deu a sentença de morte, e sepulta seus sentimentos trancafiando-os dentro de si. Pois acredita não poder fazer nada por esse amor. Ela se foi e o deixou, tentou esquecer casando-se com outro homem. Ao mesmo tempo, sente uma saudade enorme do único homem que a tocou profundamente. Mas nunca esqueceu, por causa disso, ela se esconde, por vergonha, por orgulho e arrependimento.

Depois de anos, ela começa a perceber a inutilidade de lutar contra seus próprios sentimentos, se convencendo de que pode fazer diferente. Ela cede aos impulsos do coração. Vai em busca do que sente. Decide separar do marido e tenta se reaproximar do seu grande e verdadeiro amor. Com isso, percebe o quanto ele ainda guarda mágoas e ressentimentos por ter sido abandonado. Por maior que seja a atração inexplicável que um sente pelo outro. E as inúmeras oportunidades que a vida os apresentam. Ele teme ser ferido no mesmo lugar que foi machucado por ela. E, impetuosamente fecha a porta do seu coração pra não permitir a entrada dela. Ainda assim, o universo conspira a favor deste amor. Mostrando o quanto ainda estão interligados. Acredito que se trata de algo que vai além do nosso controle. Há coisas que simplesmente acontecem. O que precisa ser compreendido é que, na verdade, não temos real controle sobre nada, nem a nós mesmos. Temos a oportunidade da escolha que nos fazem bem quando nascem do coração e nos conduz a (re)encontros transformadores. Mesmo que ela tenha escolhido renunciar esta relação por medo de amar e ser amada. Nem o tempo, nem a distância, nem ninguém conseguiu desfazer este amor.

Ao meu ver, eles ainda estão juntos, porque na verdade eles nunca se separaram. E, se essa vontade vier do coração, eles não conseguirão segurar por muito tempo. A medida que forem reprimindo seus sentidos, a própria felicidade será comprometida. O coração só é vivo na condição de amar. Viver fugindo de relacionamentos afetivos não é viver. O ser humano necessita da troca de afetividade. Viver experiências profundas expande nossa consciência, nos eleva e conduz a compreensão do significado maior da nossa existência. A energia do amor é a fonte. Nos encontramos verdadeiramente quando estamos conectados inteiramente a essa energia. Muitas vezes, um grande amor tem o poder de despertar algo dentro de nós que conduz a transformação – do medo em confiança, do sofrimento em alegria, do egoísmo em verdadeiro altruísmo. Não tenha medo, simplesmente Ame!

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “One and Only”.

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Seus sentimentos íntimos poderão se eternizar num conto ou poesia, despertando os sons do seu coração, revelando a verdadeira essência da sua alma.