Sentimentos Cotidianos

Inhotim

Eu queria falar sobre o maior centro de arte ao ar livre da América Latina. Mas acho que o assunto é saudade, de sentar junto à árvore e sentir o cheiro dessa verde grama. Saudade do que senti ao estar neste lugar. De uma leveza na alma, da paz que ali paira. Parece mesmo saudade, acho que é isso… saudade do lugar.

Laila Guedes

Existem traços em minha alma que me lembram caminhos da natureza e um brilho em meus olhos que desperta toda a minha beleza. Meu peito é campo e quer florir. Meu coração é planta, e precisa brotar. Nos braços do dia, enraizada no terreno do seu peito. À beira do lago, espelho lago, eu me deito. Do jeito que deixa a minha saudade mais perto da sua. Sim, acho que pode ser saudade. De caminhar embaixo da árvore, no solo sombreado, ao seu lado. De sentar perto da moita e sorrir sentindo o seu riso em mim. Sim, acho que estou com saudade de mim, de você, de nós.

E eu imaginando a gente dentro de uma galeria feito obra de arte. Sinto falta de como você me olhava, naquele lago, espelho lago. Um brilho diferente em nossos olhos, acho que é isso, o que chamamos de saudade. De passear de mãos dadas pelo jardim fascinados pela simplicidade ingênua daquele momento. Acho até que virei arte neste dia, ao sentir os meus sentimentos espalhados em cada galeria. Ninguém sabe ao certo porque guardamos acervos de emoções, cuidadosamente conservados dentro de nós. Seja qual for o motivo, são reveladas em fotografias, esculturas, pinturas e na presença da palavra saudade. Agora tenho certeza, é saudade o que estou sentindo. Saudade do seu olhar no meu olhar neste lugar.

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “Quando Bate Aquela Saudade”.