FotoPoesia

Sem Chão

Sem chão - Salto para o mar. Foto: Laila Guedes

Tudo anda assim meio confuso
Talvez eu tenha tudo
Talvez eu não tenha nada
Mas antes que eu esqueça, segure-me

Tudo surge assim meio absurdo
Talvez eu seja a solidão
Talvez eu não seja mais alguém
Mas antes que desapareça, segure-me

Tudo parece assim meio virado
Talvez eu pense em ficar só
Talvez eu não pense em mais nada
Mas antes que eu vá embora, segure-me

Sinta, sinta, sinta as lágrimas queimarem
Segure a minha mão agora
Segure-me nos degraus
Segure-me, eu vou errar

Não, não, não me deixe assim
Segure a minha queda agora
Segure-me nos sonhos
Segure-me, eu vou desvanecer

Porque tudo perambula na minha mão
E meus pés talvez não saibam mais a direção
Do ar, do mar
Do céu, do véu
Do sopro, do todo
Do que não há em qualquer lugar

Nesta vida em que poucos estão vivos
E muitos mortos ainda sobrevivem
Faça eu me sentir viva, única, segura
Então, me dê a sua mão
Segure-me antes que eu fique assim
Sem chão