Sentimentos Cotidianos

Coragem, Coração!

Não tenha medo, aí dentro é imenso e eu adentro sem saber porque me escondo entre seus lamentos. Eu sei que ultimamente anda triste e solitário, mas por favor, não me evite. Me sinto envergonhada, por saber o quanto já te sobrecarreguei, exigindo muito mais de você do que de mim. Mas não fique desapontado comigo, coração. Eu te peço perdão e um pouco mais de coragem. Nunca quis te enganar, também estou sofrendo por te ver chorar. Como se não bastasse suportar a sua imensidão infinita que grita latejando em meu peito machucado.

Estou isolada e o último colapso amoroso sobrecarregou você. Por isso me sinto obrigada a poupar sua energia, então descanse. Sei que você espera mais coragem de mim também, mas tenho que ser sincera, precisamos dar um tempo pra recuperar. Você me pede pra amar, mas eu não sei amar mais ou menos. Eu só sei amar sofrendo intensamente dilacerando essa minha loucura insana. Não compreendo, só sei sentir. Peço perdão, coração! Estou fraca agora, por não poder amar e não te dar amor do jeito que você merece. Infelizmente, preciso de uma pausa. Sabe-se lá quando foi meu último amor reparador. Preciso que você descanse, fique quieto, calado, porque o que você me pede eu não posso lhe oferecer. E assim como você, sem amor, me sinto sem vida.

Pés na areia. Foto: Laila Guedes

Você se chateia com as minhas escolhas, mas coração, não estou em condições de amar ninguém agora. Não me peça para pulsar no meu ritmo naturalmente intenso. Com a escassez de sentimentos tive que fazer escolhas drásticas. Não estou mais sentindo o seu toque aqui dentro, logo, a minha alma fechou os olhos mas não te deixa ir embora. Estou tão confusa e insegura que pedi conselhos a razão. E você bem sabe o quanto ela é complicada por pensar demais, sempre que ela reclama desordenadamente dentro da minha mente, fico tonta. Eu me retraio pra te proteger, não me sinto confortável em te fazer sofrer. Por isso optei pela sua hibernação. Não sei se penso, não sei se sinto, se abandono, ou se desisto. Às vezes tenho que escuta-la, por me sentir boba e fraca, me desculpa. Mas não morra, coração, mesmo com tanto estoque de razão. Ainda assim, sei o quanto queremos, eu e você, sim eu sei, queremos amar. Sinto tanto aqui dentro em te deixar, em te amarrar, te prender, te impedir, talvez eu já não tenha mais capacidade de suportar tanta dor por te ver sem amor sincero. Já não consigo transmitir os sentidos que te alimenta. Não se chateia comigo, coração, assim como você estou a ver navios ancorados sem cais. E você bem sabe o quanto é difícil, mas coração, estou sem condições de amar agora.

Não suporto mais te ver sofrer. Dói! Estou me desligando e logo, a falta de ar que me aperta o peito irá nos sufocar. Eu sei, isso tudo só nos deprime mais ainda. Conheço suas feridas, quanto ardeu a última pancada e todas as lágrimas escorridas por dentro. Está molhado, alagado. Mesmo assim imploro por você e por mim. Coragem, coração! Não desista, não desliga, sei que ainda posso me apaixonar, que ainda posso amar! Quero tanto, quero tanto… que sei que ainda posso, coração, que quer tanto amar! Segura só um pouco mais, não vamos desistir. Se ainda te tenho aqui dentro batendo, sorrindo, pulsando, mesmo em lágrimas, o nosso único destino é o amor, é amar, não importa aonde vá. Agora que meu coração desabafou lhe pergunto, quando ele parar e for descansar, onde meu amor irá morar?

Salvador, 14/02/2016,

entre às 1h, 10 min e 3h, 11min.

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “Aguenta Coração”.