Sentimentos Cotidianos

Coisas que só quem ama Vê

Certa vez, perguntei para algumas pessoas do meu convívio quais são os meus defeitos. Engraçado que todas me deram respostas diferentes. Analisei cada defeito como sendo realmente meus. Alguns, concordei em partes, outros, não entendi muito bem. Contudo a resposta mais intrigante de todas foi: “sabe que eu não sei”.

Como pode existir alguém que não consiga ver em você um “defeitinho” sequer? Por um momento, pensei que fosse cegueira. Ou quase. Mas o amor nos cega mesmo. No fundo dos olhos de quem te ama você é a cor e o brilho perfeito que encanta. Ao racionalizar emoções, encontrei uma explicação menos poética e mais conceitual. Claro, que todos nós temos defeitos, mas se estes não incomodam, perde-se todo o efeito. E quase nem existe.

Ao pensar nos meus verdadeiros defeitos, tive que escrever alguns numa folha de papel, pra não me confundir. Percebo que há defeitos que não definem quem sou. E sim quem me enxergou assim. Muitas pessoas confundem o que são, e isso não ajuda a definir quem é cada um. Somos únicos, nos defeitos e qualidades, apesar da semelhança com o próximo. A cegueira do amor faz do ser amado alguém singular. Só enxergamos aquilo que somos ou conhecemos durante o nosso viver. A gente se encontra em tanta gente, mas poucas pessoas nos cegam de amor.

Entre aquilo que somos e como quem te ama vê, definem o que vale a pena viver. Por mais comum que pareça ser, o amor nos torna diferentes e especiais. E os seus defeitos são tão pequenos diante da imensidão do que realmente sentimos. Tantas coisas cabem num coração apaixonado. Num olhar desembestado. Aqueles que demoram a sentir, só depois que perdem é que se dão conta de que não é mais o defeito que incomoda, mas a angústia que aperta o peito com saudade daquele defeito. A falta torna a dor maior, todo mundo sabe, ainda que algumas pessoas evitem.

Os seus defeitos normalmente são o que incomodam nos outros. Mas não te define. Nossas dúvidas, medos, receios, e toda a herança de relacionamentos passados se misturam e também causam cegueira. Diferentemente do amor que é desprovido de maldade. Somos o que amamos, e isso sim nos define. A culpa não é minha, nem sua, mas do embate entre a razão e a emoção, em que a primeira costuma desbancar a segunda. Visto que, a princípio, não tem fim, o essencial é não se perder na confusão que, involuntariamente, criamos por defesa ou medo de se machucar. Permita-se amar e deixar ser amado. Guarde apenas o que for bom. Crie vínculos puros e verdadeiros que estão na categoria das coisas que só quem ama vê.

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “Lens”.