Ecos do Amor

A vida é muito mais

Começo abrindo um breve alerta de censura para o conteúdo deste caso de amor. O drama da vida de um homem bem-sucedido, mulheres lindas, fama, dinheiro, que aparentemente tinha tudo e não tinha nada. Mas essa história é quase inteiramente interior, embora volta e meia seja abalada pelo exterior, esses abalos são os fragmentos de resgates, escolhas e incertezas que bloqueiam a voz da sua essência.

Depois de três casamentos, tendo um filho em cada um, ele se questiona sobre o amor. Foram relacionamentos complicados e de difícil convivência. Além de deixar profundas feridas, nasceram dúvidas dos reais sentimentos. Ele não sabia o que era o amor. Se iludiu. Se enganou. Confundiu, mas percebeu que o mesmo sentimento que o aproximou dessas mulheres foi também o que separou. A propósito, essa é outra razão pela qual ele redefine seus conceitos sobre o amor. O resultado, que talvez pareça ser um paradoxo, é a sua busca incessante por um verdadeiro romance. Entretanto, ao reescrevê-lo, com suas dores e frustrações, sinto-me honestamente disposta a convencê-lo há não se condenar por seus erros. E por um motivo no qual desconheço, das brigas, dos desentendimentos, da falta de respeito e cumplicidade, afirmo que essas nuances são de fato os assassinos e repudiadores dos sentimentos puros.

Pescador. Foto: Laila Guedes

O amor como conto que se desfaz num romance por causa de uma sensação de desistência e amargura. Culpamos nossas escolhas. Culpamos o próximo, as circunstâncias, culpamos tudo e todos. O coração magoado quando não sabe perdoar ficar impossibilitado de sentir o amor de uma forma plena e saudável. Amedrontado, sozinho, pensativo. Sua silenciosa consciência nada dizia, não se movia, não expressava palavras, apenas uma reflexão interiorizada insistentemente repetia: isso não é amor, é só tesão, eu sei que isso não é amor, sinto o vazio e a solidão. O amor, ah o amor, é outra coisa que mereço viver.

O amor é a linguagem das almas puras. É quando tocamos o impalpável de nós, despendidos da posse, do preconceito, da arrogância, do ego, dos interesses carnais e materiais. Somos livres quando sentimos o amor. A liberdade vem somente de dentro. A ânsia por outros sentimentos que diferem do amor é o que nos leva a cometer equívocos. E vivemos uma ilusão programada que nos distância do verdadeiro estado de graça. Isso explica os conflitos, as desgraças, as separações, as confusões, o desequilíbrio, a impunidade, a promiscuidade e tudo que nos faz decair no nível abaixo do que merecemos estar.

A consciência do amor, no entanto, não resulta numa definição. Não me arrisco a definir o amor, por acreditar na sua inevitável grandeza que foge ao nosso entendimento. Mesmo que tentasse explicar o amor, não saberia. Mas sei o que não é amor. E afirmo que a maioria acha que tem amor, mas só uns poucos têm. A vida é muito mais e, não termina aqui. Continuo escrevendo, por me sentir tão perto de quem me lê.

* Pra ficar ainda melhor escute a canção “Me”.

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Seus sentimentos íntimos poderão se eternizar num conto ou poesia, despertando os sons do seu coração, revelando a verdadeira essência da sua alma.